Eis que é costume geral que quem pede uma refeição em qualquer restaurante, seja de carne, leite ou peixe, normalmente o pedido também inclui pão, mesmo que não tenham estipulado nem combinado a respeito do pão, e assim também em qualquer bufê, quando se encomenda comida cozida para uma celebração familiar e semelhantes, mesmo que se tenha combinado com eles apenas certo número de porções de carne e peixe, saladas e bebidas, certamente o acordo inclui também pão para todos os comensais, pois este é o principal da refeição. E se em nossos dias, quando há toda espécie de alimentos, ainda assim o costume local é servir também pão, parece que, com maior razão ainda, em sua época, quem encomendava um prato cozido, isso também incluía pão, e por esse motivo Yaakov Avinu deu a Esav pão para comer além das lentilhas. Ao contrário, parece que a Torá vem testemunhar que esse é o costume geral. Entretanto, toda esta explicação será correta somente se o termo pão aqui mencionado se referir especificamente a pão, porém Rashi, sobre o versículo (Bereshit 31:54) “Yaakov ofereceu um sacrifício no monte e chamou seus irmãos para comer pão; eles comeram pão e pernoitaram no monte“, escreveu: todo alimento é chamado de pão, como em “o rei deu um grande banquete” (Daniel 5:1), “destruamos a árvore com o seu alimento” (Yirmeyahu 11:19), e, de fato, há muitos lugares em que se trata de pão em seu sentido literal, e assim parece ser também aqui. De todo modo, parece que este princípio é correto na prática haláchica, sobretudo conforme o costume em nossos tempos, pois tudo segue o costume local.
Pode-se ainda dizer, com a ajuda de D’us, que Esav poderia lançar dúvida sobre a venda, alegando que se encontrava em situação de pikuach nefesh, como foi dito: “Eis que estou indo morrer; para que me serve a primogenitura?”, pois, nesse caso, Yaakov teria sido obrigado a dar-lhe o cozido de lentilhas, e, na prática, a venda não teria validade, pois, pela Torá, Yaakov era obrigado a trazer-lhe um cozido de lentilhas para salvá-lo, por isso Yaakov Avinu antecipou o remédio ao mal e lhe deu primeiro pão, e, com isso, Esav saiu da situação de perigo, consequentemente, a venda teve plena validade, pois ele recebeu o cozido de lentilhas em troca da primogenitura. Veja ainda uma análise extensa sobre isso em minha obra “אשכול יוסף” sobre a parashá Toledot.