“Reiniciar” – Os Perigos da Internet

(Extraído da brochura “Reiniciar” do Rabino Binyamin Finkel)

 

A Importância de entender os perigos

Antes de dar ferramentas e soluções práticas para poder lidar com os perigos, é importante primeiramente entender a essência dos perigos de usar os diversos dispositivos de mídia. Talvez muitos achem que o perigo é claro por si só e não exige explicação nenhuma, enquanto outros acham que talvez existam problemas graves, mas nada é tão terrível como o que se prega. Eles sabem apontar para usuários leves e pesados que parecem ser tementes a D’us, e ainda outros que não são capazes de se desconectar de seu companheiro eletrônico inseparável, mas que parecem seres humanos normativos e até mesmo felizes e satisfeitos com suas vidas.

Tanto uns como outros têm o que aprender do perigo e de sua essência. Além da necessidade básica de conhecer as preocupações envolvidas para entender a necessidade de ficar longe desses dispositivos, há uma grande necessidade de se aprofundar na compreensão dos processos mentais que surgem com o uso da tecnologia. Nesse entendimento, não apenas adquirimos conhecimento para evitar, mas também ferramentas para enfrentar. Uma compreensão clara e profunda dos danos nos inspira com força e poder para enfrentar as tentações e expulsar de nossas mentes todo tipo de desculpas esfarrapadas.

 

Tipos de perigo

 

Os perigos das ferramentas tecnológicas são divididos em dois tópicos:

  1. Proibições – libertinagem, heresia, falsas opiniões, calúnia e fofoca, palavrões e coisas do gênero.
  2. Vício.

O assunto da proibição é simples: a Internet e os filmes estão cheios de coisas que a Torá proíbe assistir e ler. Em qualquer caso, enquanto houver a possibilidade de acesso às coisas proibidas, estes dispositivos também não devem ser utilizados para as coisas permitidas.

Diferente é a questão do vício, que não é de todo evidente. Em primeiro lugar, é importante enfatizar que quando lidamos com vícios, não nos referimos necessariamente a vícios pesados ​​que requerem tratamento de desintoxicação. O vício é uma escala que vai desde uma perda de tempo até um vício pesado.

Já no nível básico do vício, existem dois fenômenos problemáticos:

  1. Perda de tempo: usar o dispositivo sem uma necessidade verdadeira.
  2. Medo de perder: fenômeno que às vezes caracteriza até mesmo quem só tem e-mail, trata-se de uma busca intensa e frequente na caixa de entrada, no WhatsApp ou em sites de notícias, por medo de perder alguma mensagem ou informação nova.

À medida que a pessoa persiste em assistir e/ou navegar, começa a se formar em sua mente uma dependência emocional pela diversão que ela deduz da mídia. No final, pode chegar aos níveis difíceis em que a pessoa se torna presa de seu vício, quando em tais situações geralmente não há capacidade de se desligar por conta própria.

 

Questões comuns

A área entre o uso técnico necessário e o vício conspícuo é a área confusa, onde há mais dúvidas e falta de compreensão do risco potencial, encabeçadas pela pergunta: o que há de tão ruim em assistir a filmes e navegar na internet por simples diversão? Existem até mesmo aqueles que argumentam que o vício em seus níveis brandos não é ruim. Também é muito comum se afirmar que no uso para fins de entretenimento, desde que seja controlado e não ultrapasse os limites do bom gosto, uma pessoa madura e responsável certamente pode confiar em si mesma.

 

A verdade deve ser dita: de fato, essas questões têm lugar; o dano do uso desnecessário não é uma coisa simples e óbvia – é algo que ocorre abaixo da superfície, mas seus resultados não são tão agradáveis.

 

Qual é realmente o grande problema? Além do fato de que a perda de tempo e a inquietação como resultado de uma busca obsessiva por qualquer nova mensagem ou notícia sejam razões imperiosas por si mesmas para evitar e distanciar-se tanto quanto possível dessas mídias, existem riscos decisivos ainda mais significativos.

 

Vício – um processo imperceptível

O principal problema em usar a mídia para entretenimento é que, em tecnologia, você sabe onde começa, mas não onde termina. Muitos daqueles que rolaram montanha abaixo em graves obstáculos ou vícios pesados ​​começaram com coisas completamente permissíveis e uso mínimo, e muitas vezes persistiram no uso equilibrado e sensato por um longo período de tempo antes de começarem a tropeçar. Até que, um belo dia, houve um leve vislumbre de curiosidade momentânea, outro tropeço em uma fase de dificuldade e fraqueza, momentos de tédio ou algo que apareceu de repente sem que eles tivessem qualquer culpa. Foi só uma vez, depois de um ano mais uma vez, depois de dois meses mais uma vez e assim por diante, até que, depois de um tempo, eles se sentem presos, sem a capacidade de se desconectar. Começam a fazer bobagens que no passado não teriam imaginado estar em tal realidade, mas simplesmente não têm forças para enfrentar a atração. Uma vez saem bem sucedidos e três vezes caem. Infelizmente, esta é uma cronologia que se repete continuamente, pessoas de qualidade – cuja preocupação e dor transparecem de seus olhos – são viciadas, falham e não têm capacidade nenhuma de se salvar.

O processo de dependência é lento, gradual e imperceptível. Pode levar longos anos. Portanto, é definitivamente muito difícil enxergar, durante a primeira degustação, os resultados que podem ocorrer somente depois de longo tempo.

 

Além disso, as pessoas não têm a capacidade de prever os eventos de vida que irão ocorrer com elas. É muito comum que uma pessoa relativamente estável, que nunca sentiu uma atração significativa por assistir a filmes ou navegar na Internet, se encontre descendo profunda e rapidamente devido a uma situação difícil em sua vida, da qual ela tenta escapar para o mundo virtual. Por isso, é muito importante reduzir ao máximo a exposição e principalmente a legitimidade para com ela, pois cada sabor estimula o apetite pelo que segue, e se não ocorre imediatamente, pode ocorrer em tempos de crise.

 

Quando uma pessoa começa a se ligar a filmes e a navegar na internet, mesmo quando eles não preenchem toda a sua agenda, mas apenas muitas de suas horas de lazer, o principal dano causado é à coisa mais importante para uma pessoa – sua qualidade de vida.

 

Qualidade de vida

Qualidade de vida significa satisfação, alegria, contentamento e tranquilidade, quando a vida é conduzida com sabedoria e razão – uma pessoa que geralmente está satisfeita com sua vida na maior parte do tempo. Claro, mesmo uma dessas passa por eventos extremamente desafiadores a extremamente difíceis ao longo da vida e suas voltas. Na verdade, qualidade de vida, alegria e satisfação não são mercadorias que podem ser obtidas a baixo custo; para merecê-las, é preciso superar muitos solavancos. Mas para qualquer amante da vida, é altamente recomendável investir os esforços necessários para ter sucesso em ser feliz. Não é nada fácil; este é o desafio da vida, o principal projeto da vida de todos, mas também é o negócio mais lucrativo que uma pessoa pode fazer.

 

A receita da felicidade consiste em muitos esforços, principalmente mentais. São necessários capacidade de contenção, flexibilidade mental, adaptabilidade a situações de mudança, construção de relações interpessoais estáveis, investimento na família, motivação e trabalho autônomo intenso. Trata-se, obviamente, de um processo contínuo, cheio de desafios e carregado de falhas e momentos de crise. Apesar de tudo, simplesmente vale a pena. Mais ainda: com o tempo, tanto a dificuldade quanto os desafios adquirem o gostinho agradável de uma sensação de poder e satisfação por cada superação.

 

Investir na felicidade não só vale a pena como também é necessário, porque é impossível viver uma vida neutra. Aquele que não se esforça para ser bem-sucedido e feliz não permanece em um estado estático, mas recua, torna-se mais deprimido e frustrado, e a vida se torna mais árida e opressiva. Porque naturalmente a vida é estressante, opressora e cheia de lutas, e quem não enfrenta toda essa turbulência e abre caminho para ela, é automaticamente arrastado e afogado.

 

 

O dano da tecnologia à qualidade de vida

A tecnologia moderna criou um novo substituto para o investimento na qualidade de vida: um mundo imaginário interativo e dissipador profissional de tédio. Um mundo cheio de experiências e emoções, interesse e inovação, cores e sons. Imensidões geográficas e diversas conexões com pessoas de toda a terra – um mundo fantástico.

Este mundo é o refúgio moderno para quem quer fugir das adversidades e exigências da vida, o que dispensa o esforço para ser feliz. É acessível e fácil e tampouco custa muito dinheiro – uma maneira fácil e avançada de ser feliz.

 

O questionador perguntará: o que há de tão ruim nisso? É realmente muito bom, e de qualquer maneira estou entediado e não faço nada, ou isso até tem “permissão rabínica”, ou “Estou nervoso, tive um dia difícil e só quero relaxar com algum filme”.

 

A resposta é que, embora os filmes e a navegação na internet sejam muito agradáveis ​​na hora, eles são significativamente prejudiciais para o desfrute da vida fora do mundo da mídia, em dois aspectos:

 

  1. Perda do sabor da vida: na vida real, não é fácil ser feliz e satisfeito e as dificuldades são muitas e variadas. Uma vez que somos expostos a um mundo divertido, arrebatador e fascinante com tanta facilidade, o mundo real em que vivemos a maior parte e o centro de nossas vidas se torna cinzento e sem graça aos nossos olhos.

Isso é extremamente perceptível nos filmes: cada um tem a tendência a se conectar a filmes e cenas de um determinado tipo. Isso ocorre porque assistir a eles cria uma identificação do espectador com o protagonista que personifica as fantasias que ele deseja para si mesmo. Portanto, quando alguém se imagina como o ator quando tudo está indo exatamente de acordo com seus sonhos e vive-o de uma forma visual tão tangível, é muito difícil depois voltar à realidade e se adaptar a ela.

O mesmo efeito existe nos demais usos da rede, que proporcionam prazeres diversos de forma espetacular, rápida e dinâmica. Isso naturalmente não é encontrado no mundo real e, assim, reduz cada vez mais o seu gosto aos olhos do ser humano.

 

  1. 2. Degeneração dos músculos psíquicos: como um doente que permaneceu em coma por muito tempo, que necessita, ao acordar, de um período de reabilitação dos músculos que se degeneraram por um período prolongado de repouso imóvel, o mesmo ocorre com os músculos psíquicos. Quando nos acostumamos a alcançar prazeres facilmente, a psique gradualmente se acostuma a não se esforçar e, como resultado, os desafios da vida tornam-se duplamente difíceis. Cada esforço leve parece dez vezes mais complexo, levando a mais desistência da vida e mais melancolia.

Conforme mencionado, o potencial para esses danos começa mesmo quando o uso parece ser controlado e proporcional, porque a mudança de mentalidade ocorre na mente de forma lenta e imperceptível. Uma pessoa assiste a um filme ou se ocupa em outra coisa interessante na web. O uso é fascinante e evoca suas emoções evidentes e, principalmente, aquelas inconscientes. Nesse momento, o cérebro sinaliza para si mesmo que existe uma realidade muito mais bonita e interessante no mundo do que a vida clássica. Essa informação vai penetrando devagarinho e fica fixada na mente, de forma que, em momentos de dificuldade, tédio ou desconforto da vida, essa informação pode emergir. Então, naturalmente, a pessoa sente que não tem motivo para se esforçar em resolver seus problemas, encontrar uma ocupação positiva ou tentar manter o bom humor apesar da dificuldade; afinal, há uma solução muito mais fácil – usar a mídia.

 

À medida que se assiste e se navega mais e mais vezes, essa percepção se torna cada vez mais forte, o que aprofunda a falta de gosto pela vida e diminui cada vez mais a capacidade de enfrentamento. Até que, eventualmente, o problema também começa a ser sentido e tangível, e a pessoa pode chegar a um estado em que se sente completamente impotente e desmotivada, sendo que a única alternativa restante é a fuga para a web e os filmes.

 

Conscientização do risco

Quando se deseja dar um passo no assunto da tecnologia computadorizada, o mais importante a lembrar são os riscos significativos que existem nos meios de tecnologia. As pessoas afirmam: “Sou obrigado a usar por causa disso e daquilo”, e até “Perguntei a um rabino que pesou todos os lados e me permitiu”. Tudo é muito bom, não há como negar que existe uma necessidade e há aqueles quem realmente precisam ter este ou aquele meio tecnológico, e isso é possível quando é casher e tem filtro.

Entretanto, assim como é possível ser químico ou biólogo, embora essas profissões exijam a antipática e prolongada companhia de ácidos e vírus perigosos, desde que se reconheça os muitos riscos e não se distraia dos meios que impedem a direta exposição a eles, o mesmo se dá em relação aos meios de comunicação: é preciso lembrar e internalizar que nessas coisas existem opções acessíveis e fáceis de danificar o que nos é mais importante: o sabor da vida e nossa alegria. E mesmo que tenhamos uma necessidade absoluta de utilizá-los, não devemos esquecer do que estamos tratando e tomar todas as medidas de distância e proteção dos riscos envolvidos. As instruções para o uso adequado desses dispositivos sofisticados e mortais serão explicadas na próxima seção: “Como podemos evitar a queda?”

 

Como evitar a queda?

Criando distância – a única maneira de prevenir quedas

Para a prevenção de quedas não há muitas dicas, há somente uma solução: nem comece! Fique longe dos testes o máximo de distância. Sobre a proibição de um Nazir de tomar vinho e comer uvas, nossos sábios disseram: “Dê uma volta bem maior, diz-se ao Nazir, mas não se aproxime do vinhedo”. Muitos dos livros sobre o Serviço a D’us alegam que a maior parte do trabalho de uma pessoa deve ser evitar o teste e não lidar com ele. Muito mais quando se trata de testes tecnológicos pois, se, nos testes clássicos, no final das contas muitas pessoas conseguem resistir, neste teste a maioria das pessoas que tiveram acesso falhou. Pode não ser imediatamente na primeira ou na segunda vez, mas em algum momento aconteceu – assim provou a realidade.

 

O empregado de uma grande empresa tecnológica pediu ao gerente da empresa para instalar a filtragem de Internet em seu computador. O gerente, que não era um judeu observante, expressou vontade de ajudar, mas tinha uma pergunta: “Veja bem: sou um judeu tradicional e, entre outras coisas, evito comer carne de porco, mas nem sempre é fácil para mim seguir esses costumes. Às vezes, quando estou no exterior e desço para comer no restaurante do hotel, estou rodeado por dezenas e centenas de pessoas sentadas a saborearem um delicioso porco assado e bem feito com acompanhamentos adequados. A priori, parece uma situação nada fácil, mas eu consigo seguir os meus princípios e não me sinto tentado a provar da carne. E agora”, dirigiu-se perplexo ao empregado, “explique para mim qual é a diferença entre eu e você. Se, de acordo com seus princípios, é proibido navegar em determinados sites, mantenha-se firme em seus princípios mesmo quando não há uma barreira técnica. Não é tão difícil assim. A prova é que eu, cujo nível espiritual é bastante baixo, lido com sucesso com as tentações em meu nível” …

 

As diferenças entre os testes clássicos e as seduções da mídia

Essa pergunta é muito comum e é ouvida de diferentes maneiras: “Por que é preciso ir tão longe, fazer filtros tão severos ou se esforçar para não trazer a internet para dentro de casa? Sou um jovem/adulto maduro e passei com louvor por vários testes? Sou um judeu sério que trabalha sua própria personalidade; qual é o grande medo em relação a mim?

 

A verdade é que esta também é uma das questões mais lógicas ouvidas no campo das vulnerabilidades da tecnologia: qual é a diferença entre esta experiência e o resto dos testes das pessoas?

A resposta está no triângulo de ferro que caracteriza os testes de mídia – atração, acessibilidade e confidencialidade.

 

  1. Atração: parece que nunca houve um obstáculo tão cintilante e fascinante. E nunca houve um lugar onde se reuniram tantas tentações de diferentes e esquisitas espécies, cada uma delas com inúmeras opções de uso: material escrito, fotos, filmes e a capacidade de entrar em contato com todas as pessoas do mundo.

 

  1. Acessibilidade: parece que o problema com a grande acessibilidade dos meios tecnológicos seja a possibilidade de falhar repetidas vezes com facilidade. De fato, este é certamente um motivo para excesso de cautela, mas há outro obstáculo, mais substancial e abrangente.

 

Cada pessoa tem altos e baixos, bons e maus momentos. Nos bons momentos tudo flui tranquilamente, mas nos momentos difíceis todo tipo de impulsos e pensamentos negativos começam a surgir. Desde que o pecado esteja tecnicamente distante, muitos são os obstáculos que devem ser superados antes da queda, o que naturalmente evita, com a ajuda de D’us, a maior parte das quedas.

 

Mas quando a acessibilidade e a disponibilidade são altas, mesmo aqueles que temem a D’us e estão contentes com suas vidas podem, em um momento de dificuldade ou, alternativamente, por curiosidade incontrolável, ser tentados rapidamente, sem ter tempo de brecar. Embora possa levar meses e anos para que o momento exato do teste seja criado, ele sempre pode ocorrer. O próprio fato de pertencermos à raça humana, que também consiste num corpo material e em cujo coração se encontra, ao lado o bom instinto, também o mau instinto, permite certamente tais fenômenos, como infelizmente muitas vezes se comprovou na realidade.

 

Ou seja: a acessibilidade não é perigosa apenas para quem já tem dificuldade em lidar com as tentações cintilantes, mas mesmo aqueles que parecem estar em terreno estável correm o risco da tentação acessível, que apenas espera pacientemente pelo momento adequado.

 

  1. Confidencialidade: se, nas ruas de uma cidade, existe a barreira da vergonha e do medo de ser visto, secretamente, na companhia exclusiva do aparelho, essa barreira significativa não existe.

Portanto, a única medida preventiva que existe para não cair é ficar o mais longe possível das opções de sedução e obstáculo, conforme será explicado adiante.

 

Dispositivos com acesso a conteúdo proibido

Não há nada exagerado demais para evitar a exposição e o acesso a conteúdo danoso, porque tanto nossa vida neste mundo como no Mundo Vindouro está em jogo. Por exemplo: um estudante de Yeshivá cujos pais usam dispositivos com os quais ele pode falhar deve fazer uma pergunta a um sábio sobre a volta para casa em tal situação e de que maneira.

O mesmo em matéria de sustento. Não há justificativa nenhuma para continuar trabalhando em um local com acesso a conteúdo proibido e também não é lucrativo; muitos pagaram o preço por ter caído, que inclui, entre outras coisas, também um aspecto econômico significativo

O perigo de vida vem antes de toda a Torá, e os dispositivos proibidos não são menos ameaçadores. Eles podem destruir todo um mundo espiritual tanto de adultos como de jovens e eles têm o poder de derrubar pessoas piedosas e verdadeiros servos de D’us. Infelizmente, a variedade de caídos que atingiram lugares muito indesejáveis ​​é muito grande, abrange todas as idades, estilos pessoais, personalidades, diferentes origens e diferentes níveis espirituais, homens e mulheres.

 

A explicação para este doloroso fenômeno é, como mencionado, bastante simplista, pois somos seres humanos com um corpo material. Nosso corpo é atraído pelos prazeres deste mundo e não renega nenhum dos desejos deste mundo. Por isso, mesmo se conseguirmos nos apegar à espiritualidade e nos elevarmos no serviço a D’us, o corpo ainda continua a almejar cada concupiscência deste mundo. Embora, à medida que uma pessoa trabalha sobre si mesma e progride em seu trabalho, seu desejo por assuntos materiais diminui, ele não desaparece completamente e, em tempos de dificuldade e crise, mesmo um judeu de qualidade pode cair. Não porque ele seja uma pessoa fraca, mas simplesmente porque ele pertence à raça humana.

 

Dispositivos com acesso a conteúdo de entretenimento

Não está explicitamente escrito no Shulchan Aruch que é proibido assistir a filmes que não apresentam cenas sem recato ou navegar pela rede de internet, mas, como vimos, o uso de tecnologia de entretenimento destrói a qualidade de vida com as próprias mãos. E um indivíduo sem qualidade de vida também não pode ser um bom judeu; é impossível ser um servo de D’us se você não é produtivo, não é ativo e não é feliz. O bê-á-bá de um judeu é ser uma pessoa que progride, e não, D’us o proíba, uma pessoa que se retira para o mundo da imaginação que faz esquecer a vida e o papel que nos impõe.

É por isso que tais dispositivos são tanto destrutivos como proibidos, e nos termos de nossos sábios: “para que trazer uma fonte se é possível deduzir pela lógica?” Além do que, é muito raro encontrar tais meios que estejam completamente livres de qualquer proibição. E mesmo que o forem, são tentadores e nos acostumam a ver cada vez mais, preparando, desta forma, o terreno para a descida até chegar a conteúdo proibido. Tudo isso à parte do que os sábios de nossa geração proibiram em cartas explícitas.

 

Portanto, aquele que deseja uma vida de qualidade (o que é mais difícil, mas muito mais gratificante), assim como aquele que deseja ser um bom judeu, deve se distanciar de qualquer acesso a estes meios, não menos do que a conteúdos proibidos.

 

Dispositivos para uma necessidade obrigatória

A maior complexidade é esta: quando na mesma ferramenta há tanto necessidade vital como perigo. E o grande problema é que não há como separar entre os dois. Não existe proteção hermética, ponto final. Mesmo quem possui apenas um e-mail ainda tem o risco de ser viciado apenas no e-mail (o que definitivamente é um fenômeno que existe), bem como em conteúdos que podem lhe ser enviados por meio dele.

 

Portanto, nesses casos, o que se exige de nós é reduzir o risco e afastar a acessibilidade a ele. A melhor recomendação que pode ser dada a qualquer pessoa é, antes de mais nada, nunca trazer a internet para casa! É recomendável e vale a pena, mesmo que envolva dificuldade e transtorno e mesmo que envolva perda financeira. Novamente: não é obrigatório, você pode conseguir permissões para isso, mas é uma recomendação e um ótimo conselho, e não há cerca melhor do que isso. O afastamento da internet de casa elimina o risco agudo de acesso disponível, exposição das crianças (que sempre sabem melhor do que os adultos como usá-la) e reduz a facilidade de uso que é a principal causa de se deixar levar.

 

Se necessário, é dez vezes melhor pedir ajuda para outra pessoa ou ir a uma loja online supervisionada, do que trazer a internet para casa, mesmo que seja a mais filtrada. Não há negócio mais lucrativo do que este; é verdade que há um preço a ser pago e pode até ser alto, mas simplesmente vale a pena.

 

Pessoas que fizeram isso e jogaram fora a internet casher viram uma bênção em suas vidas como resultado direto – mais disponibilidade e mais produtividade. E o mais incrível é que aquelas pessoas, antes de tirarem a internet, não sentiam que ela as incomodava ou consumia seu tempo, e vejam que milagre – a partir do momento em que tiraram, de repente perceberam quanto tempo ela lhes roubava e quanta possibilidade de aproveitar os pequenos momentos da vida lhes era negado (isso foi escrito, entre outros, por experiência própria).

 

Imagine só, então, o imenso benefício para quem possui um smartphone para qualquer finalidade, se o substituir por um computador filtrado ou um dispositivo que não seja de bolso. Desta maneira, de um companheiro inseparável, a internet fica bem mais próxima de sua proposta básica de ser uma ferramenta de trabalho. Essa é uma diferença abismal para a qualidade e alegria de vida, tranquilidade e cabeça no lugar. E, novamente, isso não é uma demanda – trata-se de um conselho, dos melhores que se poderia dar a alguém.

 

Quando não há escolha

É claro que necessidade e conveniência são questões subjetivas, assim como “ter alternativas” ou “não ter nenhuma alternativa”, e cada um tem seu próprio limiar de “nenhuma alternativa”. Mas mesmo quando você concluir que precisa de certo acesso à Internet, não a use sem fazer para si mesmo algumas cercas.

 

Em primeiro lugar, diminua as opções de navegação a conteúdos de entretenimento como notícias e vídeos e, se desejar o melhor para si mesmo, reduza as opções o máximo possível ao mínimo necessário.

 

Em segundo lugar, é imprescindível limitar a si mesmo com alguma boa decisão em termos de tempo de navegação, definir certas horas ou não mais do que X tempo por dia. Uma ótima ideia, para quem trabalha em casa, é limitar o uso apenas ao horário de trabalho e fazer arranjos adicionais em meia hora ou uma hora antes ou depois do horário de trabalho.

 

Por favor, para o seu bem, aceite o desafio e mantenha sua boa decisão com toda a força. Não fique tentado a violá-la para uma necessidade urgente nem mesmo uma vez. Porque esta cerca não é uma salvaguarda de segurança; trata-se do seu único escudo contra um lento desvio em direção a um uso viciante e imprudente. Se você quebrar a essência que ela tem como uma regra de ferro insubstituível, você corroerá toda a sua eficácia como aquilo que evita escorregar para os distritos da falta de autocontrole.

 

Reconhecimento da problemática

“Dois amigos aldeões se encontraram certo dia e um viu que o outro mostrava um semblante muito preocupado. Ao indagarem um ao outro sobre qual era o problema, descobriram que ambos tiveram o mesmo sonho na noite anterior: uma voz celestial os alertava que todo o trigo que cresceria aquele ano estaria envenenado, e todos que o ingerissem enlouqueceriam, sem jamais poderem ser curados. Pela recorrência do sonho a ambos, ficou evidente que era verdade. Ambos se perguntaram: o que é melhor? Comer do grão e enlouquecer ou morrer de fome? Decidiram aconselhar-se com o veterano mais experiente da aldeia. Este lhes respondeu: deixar de comer do grão é impossível, pois vocês precisam viver; portanto, comam junto com todos os habitantes da terra. Entretanto, antes de saborear pela primeira vez a safra do ano novo, pendurem em seu pescoço um colar com um pingente de ouro gravado com a seguinte palavra: “Enlouqueci”. Desta maneira, vocês enlouquecerão como todos, mas pelo menos vocês jamais esquecerão que não se encontram no estado ideal.

 

Mesmo que haja alguma necessidade ou mesmo obrigação total para possuirmos algum dispositivo, faremos pelo menos o mínimo – lembraremos que este não é o estado ideal. A vida sob uso intensivo de tecnologia não é uma vida normal. É verdade que é dez vezes mais fácil e tecnicamente mais confortável, mas nos sobrecarrega com tarefas e nos provoca com inúmeras tentações, o que nos rouba grande parte da paz de espírito. Tudo isso além do fato de que, em qualquer meio tecnológico, existe o perigo de vício ou vazamento de conteúdo proibido de uma forma ou de outra.

 

Portanto, não devemos aturar a situação, mesmo que formos obrigados a viver com acesso à internet. Oraremos e ansiaremos pelo dia em que não precisaremos desses usos necessários e seremos capazes de evitar o atrito com estes meios problemáticos. É isso que nos ajudará a nos desligarmos totalmente assim que a necessidade terminar, e a permanecer mais elevados e mais no controle mesmo enquanto a necessidade ainda existir.

 

O mesmo é verdade para quem caiu em um grau ou outro e está ciente de sua condição problemática, mas não encontra forças em sua alma para se superar; o mais importante é não se acostumar nem aceitar esta situação. Mesmo que ainda não tenha conseguido sair da situação problemática, a pessoa pelo menos não deve fazer da situação uma norma e uma realidade que não pode ser mudada ou que não é tão grave assim. Pelo contrário: deve sempre lembrar de que esta é uma situação muito problemática, da qual de fato não é nada fácil de se desvencilhar, mas não deve de forma alguma aceitá-la.

 

 Aproveitando as oportunidades

É perfeitamente compreensível que não seja fácil se desconectar de todos os dispositivos, que definitivamente facilitam a vida e são mesmo necessários para diversos fins. Não é sempre ou em qualquer situação que a pessoa encontra forças para se levantar e fazer mudanças. Entretanto, há um bom conselho sobre “aproveitar as oportunidades”. Todo mundo tem momentos ocasionais nos quais desperta, lê algum material sobre o assunto, ouve uma palestra de fortalecimento, Yamim Noraim ou algum evento especial que acontece com eles. Estes momentos são uma oportunidade que vale a pena aproveitar para se apressar e desligar, colocar outra cerca ou fazer uma firme resolução sobre o assunto. Vale a pena fazer isso com muita rapidez e sem demora, pois a natureza do despertar é que ele se desvanece. Quem tem medo de precisar urgentemente da Internet não deve se preocupar: retornar é sempre possível, mas o desligamento nem sempre é possível e certamente não é fácil. Vamos aproveitar a oportunidade e ver apenas bênçãos.

 

***

 

Aqui termina o artigo “Reiniciar” do Rabino Binyamin Finkel. Um pequeno acréscimo para os “entendidos”: todo o propósito de guardar a Torá e as mitsvot é chegar perto de D’us, e a proximidade a D’us é, na verdade, ir da “realidade” para o estado exaltado que está “acima da realidade”; já o mundo da Internet é uma “sub-realidade”, o oposto completo do estado de proximidade a D’us. Portanto, mesmo quem usa apenas o bom conteúdo da Internet está, no final das contas, dando um passo na direção oposta da “proximidade de D’us”.

 

O Site Meshiv Cahalachá

 

Depois deste artigo tão inspirador, a pergunta do leitor surge sozinha: se é assim, por que vocês criaram o site “Meshiv Cahalachá”? A resposta é que não criamos o site para aproveitar o poder da internet para divulgar a Torá; de bom grado abriríamos mão deste poder, pois achamos que a internet não é uma ferramenta digna (mesmo com um filtro poderoso) devido aos seus perigos, conforme explicado acima. O site foi criado devido ao conhecimento doloroso da realidade: há um público grande que procura respostas às suas perguntas justamente na internet e não de outra forma. O resultado é que, muitas vezes, recebem uma resposta inexata ou incorreta tanto em leis como na maneira de enxergar o mundo, e os problemas são grandes. Por isso, seguimos o caminho de nosso mestre, Rav Ovadia Yossef zt”l, que sempre instruiu “salvar o que for possível” para que muitos não caiam. Assim encontramos em muitas de suas respostas. É lógico que este tipo de instrução não pode ser inferido de outros casos, e por isso apresentamos a questão perante os mestres de nossa geração shelita, perguntando a eles se é para abrir este site devido a esta razão. O grande Chacham Rav Shalom Cohen shelita, Rosh Yeshivat Porat Yossef e presidente do Conselho dos Sábios da Torá, nos instruiu a abrir o site devido a este motivo. Disse que é uma mitsvá salvar o público que de qualquer maneira procura a palavra de D’us, a Halachá, justamente na internet, para que ao menos receba uma resposta correta e exata, de forma que não incorra em equívocos.

Portanto, não é para ver neste site uma legitimação do uso da internet. De acordo com nossa opinião, quem pode perguntar diretamente e pessoalmente a rabinos competentes e versados em Halachá e não de maneira digital com certeza é muito melhor fazê-lo. A resposta também será muito mais exata quando o rabino conhece de perto aquele que lhe está fazendo a pergunta.

 

É importante salientar que os rabinos que respondem no site não o fazem diretamente do site. Eles dispõem somente de uma caixa de e-mail e recebem as perguntas por e-mail, respondem-nas por e-mail e depois a equipe do site as transfere para o site, para que todos possam ter proveito.

 

Terminaremos com a prece de nosso mestre em sua responsa Yabía Ômer (vol. 5, Yorê Deá, siman 10): “Que Hashem Yitbarach feche todos os rombos de Seu povo Israel e que todos aqueles que erram tenham espírito de sabedoria para retornarem à origem de onde foram talhados e que mereçamos a plena redenção. Amen”.

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