O Rabi Nachum Ish Gamzu foi um dos primeiros Tanaítas (sábios da era da Mishná) e mestre do Rabi Akiva durante vinte e dois anos [1]. Era também chamado de “Nachum Hamadí”[1B].

O Rabi Nachum foi o símbolo máximo da fé e da confiança em D’us, e recebeu esse nome por causa da frase que sempre dizia: “Gam zu letová” (“Também isto é para o bem”).
Os Sábios afirmaram que ele tinha o título de “Kodesh HaKodashim” (“Santo dos Santos”) [2], e ele foi um dos poucos Tanaítas sobre os quais se disse [3] que era “melumad benissim” — ou seja, acostumado a milagres, para quem o miraculoso era algo frequente. Por isso, o seu túmulo possui uma força espiritual especial, sendo ele um local muito propício para que as orações sejam aceitas perande D’us de forma que Ele concede salvação acima das leis da natureza, em mérito do Tsadik; pois aquilo que o Tsadik realizou em vida (no caso, milagres) continua a exercer influência sobre outros que necessitam do mesmo tipo de ajuda [4].
O local do túmulo encontra-se na parte nova da cidade de Tsfat (Safed), na rua que hoje leva o seu nome, “Nachum Ish Gamzu” (uma travessa da rua Henrietta Szold).
A localização exata do túmulo foi revelada pelo Arizal [5], contrariando a suposição anterior quanto ao local.
O Arizal também observou que toda a área ao redor deste túmulo é um lugar sagrado [6].
Nos últimos anos foi construído sobre o túmulo uma instalação bonita, no estilo característico de Tsfat, com uma seção para mulheres e acesso total para pessoas com deficiência, aberto vinte e quatro horas por dia.
Dia da Hilulá (aniversário de falecimento do Tzadik): 15 de Av.
O Colel “Ohel Shelomô” (filial do “Bircat Avraham”), ao lado do túmulo do Tana Rabi Nachum Ish Gamzu
No mês de Elul do ano 5785, foi inaugurada na cidade de Tsfat, com a ajuda Divina, uma filial do Colel “Bircat Avraham” de Jerusalém. O nome dessa filial é “Colel Ohel Shelomô”, em mémoria do inesquecível sr Shelomo Adolfo Ben Salcha ZL.

Após uma inscrição de grande escala, foram escolhidos os alunos mais destacados — todos eruditos reconhecidos da cidade sagrada de Tsfat — e o registro continua aberto para a aceitação de novos estudiosos.
O Rosh Colel nesta filial é o Gaon Rabi Michael Bahbout Shelita, irmão do chefe das instituições o Rabino Elie.
O tema de estudo do Colel é “Dayanut” (jurisprudência rabínica), com um nível de profundidade especialmente elevado.
Inicialmente, este Colel funcionava na sinagoga onde fica o túmulo do Tana Rabi Yosef Banaáh (também em Tsfat), mas já no mês de Mar-Cheshvan do ano 5786, esta filial mudou-se para a sinagoga que fica ao lado do túmulo de Rabi Nachum Ish Gamzu, chamada “Bet HaKnesset Nachum Ish Gamzu” — que também serve como abrigo protegido (Miklat).

Os estudiosos, todos os dias ao final do estudo, dirigem-se ao túmulo do santo Tana Rabi Nachum Ish Gamzu e oram pela prosperidade de todos os doadores das filiais do Bircat Avraham, mencionando os nomes de cada doador diariamente.
A oração pela prosperidade segue o texto composto pelo grande cabalista Rabi Eliyahu HaCohen de Izmir ZTL, com adições extraídas da oração de sucesso composta pelo Rabenu Yossef Chaim ZTL, o autor do Ben Ish Chai.
Para enviar nomes para oração no túmulo do justo Rabi Nachum Ish Gamzu >>>

Convém destacar que o Tana Rabi Nachum Ish Gam Zu é um símbolo da importância da tzedaká (caridade), conforme relatado no Talmud [7]. Assim, quem doa tzedaká para o sustento do Colel localizado sobre o seu túmulo, merece que a alma do tzadik lhe reconheça profundamente o bem e interceda favoravelmente por ele diante do Trono Celestial. Isso ocorre porque, quanto maior for a afinidade da pessoa com o tipo de atos que o tzadik realizou em vida, maior será o mérito da oração junto ao seu túmulo [8].
Segulot (ação de força espiritual) e preces ligadas ao santo Tana Rabi Nachum Ish Gamzu
A seguir, algumas segulot e orações especiais para obter salvação e misericórdia, relacionadas à figura do Rabi Nachum Ish Gamzu — e, naturalmente, quando são realizadas junto ao seu túmulo, o poder espiritual é ainda mais intenso, com a ajuda de D’us.
Dizer “Gam zu letová” tem o poder de transformar a realidade
Os grandes mestres do chassidismo [9], baseando-se nos ensinamentos do Rabi Israel Baal Shem Tov, explicaram que dizer a frase “Gam zu letová” (“Também isto é para o bem”), com verdadeira reflexão e fé, possui um poder espiritual profundo: Quando a pessoa realmente internaliza que tudo o que parece ruim não apenas se tornará bom, mas já é bom neste exato momento, mesmo que ainda não entenda como, então essa declaração tem o poder de transformar o Rigor Divino em Misericórdia Divina.
Assim, o bem oculto dentro do que parecia ser uma adversidade se revela abertamente [10].
E alguns mestres enfatizaram [11] que não basta apenas pensar “Gam zu letová”, mas é preciso pronunciar as palavras em voz alta — pois ao expressá-las verbalmente, o Rigor se “adoça” e a misericórdia Divina se manifesta.
A Segulá de relatar o milagre de Rabi Nachum Ish Gamzu
Transmite-se, em nome do ancião dos cabalistas, Rabi Yitzchak Kaduri ZTL, que uma Segulá (ação de força espiritual) muito poderosa para qualquer tipo de salvação é contar e divulgar o milagre ocorrido com Rabi Nachum Ish Gamzu, narrado no Talmud nos tratados de Taanit [12] e Sanhedrin [13].
A seguir, o relato completo conforme o texto do Talmud:
Por que o chamavam “Nachum Ish Gamzu”?
Porque, em toda situação que lhe acontecia, dizia: “Gam zu letová” — “Também isto é para o bem”.
Certa vez, os judeus quiseram enviar um presente ao imperador romano (para evitar um mal decreto que estava planejando).
Perguntaram: “Quem irá representá-nos?”
Responderam: “Que vá Rabi Nachum Ish Gamzu, pois ele é acostumado a milagres”.
Colocaram nas mãos dele uma arca cheia de pedras preciosas e pérolas.
Durante a viagem, ele pernoitou em uma hospedaria. À noite, os moradores roubaram as joias e encheram a arca com terra.
Quando amanheceu e ele viu o que havia acontecido, disse: “Gam zu letová”.
Ao chegar diante do imperador, abriram a arca — e viram que estava cheia de terra!
O imperador enfureceu-se e quis matar todos os judeus, dizendo: “Os judeus estão zombando de mim!”
Nachum respondeu novamente: “Gam zu letová”.
Então apareceu Eliyahu HaNavi (o profeta Elias) com a aparência de um dos conselheiros do imperador, e disse:
“Talvez esta terra seja a terra do patriarca Avraham — pois, quando ele lançava punhados de terra, eles se transformavam em espadas; e quando lançava palha, tornavam-se flechas, como está escrito: ‘Ele deu o pó como sua espada e a palha como seu arco’ (Yeshaiá 41:2).”
Havia naquele tempo uma província que o imperador não conseguia conquistar.
Eles experimentaram usar aquela terra — e venceram a guerra!
Em gratidão, o imperador mandou levar Rabi Nachum Ish Gamzu ao tesouro real e encher novamente sua arca com pedras preciosas e pérolas, enviando-o de volta com grande honra.
Ao regressar à hospedaria, os moradores perguntaram:
“O que você levou que o imperador o tratou com tanta honra?”
Ele respondeu: “O que levei daqui, levei para lá.”
Eles, pensando que a terra comum de sua hospedaria era a tal terra milagrosa, destruíram a casa para recolher o pó e enviaram-no ao imperador.
Mas, quando testaram, não encontraram poder algum — e os moradores foram condenados à morte.
A oração composta por Rabi Salman Mutzafi
Segue uma breve oração composta pelo cabalista Rabi Salman Mutzafi, para ser recitada no túmulo de Rabi Nachum Ish Gamzu, após o estudo de seus ensinamentos (alguns dos quais serão apresentados adiante):
“Que seja Tua vontade, ó Eterno, que o mérito do santo Tana Nachum Ish Gamzu nos proteja, a nós e a todo o povo de Israel.
E assim como ele realizou milagres e maravilhas em sua vida, que o Santo, bendito seja, também faça conosco milagres e maravilhas agora, em nossos dias, por seu mérito. Pois os justos são ainda maiores em sua morte do que em sua vida. Que Ele apresse nossa redenção completa e eterna, rapidamente em nossos dias, Amen.”
Ensinamentos adicionais do Tana Rabi Nachum Ish Gamzu
- Tratado de Taanit 21A:
Disseram sobre Rabi Nachum Ish Gamzu que ele era cego dos dois olhos, sem as duas mãos e sem as duas pernas, e todo o seu corpo estava coberto de feridas.
Ele ficava deitado numa casa em ruínas, e as pernas de sua cama estavam apoiadas em bacias com água, para que as formigas não subissem sobre ele.
Certa vez, a casa ameaçava desabar.
Seus discípulos quiseram retirar primeiro a cama e depois os utensílios.
Ele disse-lhes: “Meus filhos, retirem primeiro os utensílios e só depois a minha cama — pois estou certo de que, enquanto eu estiver aqui, a casa não cairá.”
Eles assim fizeram — e, logo após retirarem a cama, a casa desabou.
Então perguntaram-lhe:
“Rabi, sendo o senhor um justo completo, por que tudo isso lhe aconteceu?”
Ele respondeu:
“Meus filhos, eu mesmo causei isso a mim.
Certa vez, caminhava para a casa de meu sogro, levando comigo três jumentos: um carregado de comida, outro de bebida e o terceiro de iguarias.
Um pobre se aproximou e me pediu ajuda, dizendo: ‘Rabi, sustenta-me!’
Respondi: ‘Espera até que eu descarregue o jumento.’
Mas, antes que eu o fizesse, sua alma partiu.
Caí sobre o corpo dele e declarei:
‘Que meus olhos, que não tiveram compaixão dos teus, se tornem cegos;
que minhas mãos, que não te ajudaram, sejam cortadas;
que minhas pernas, que não correram para socorrer-te, sejam amputadas.’
E não me senti em paz até dizer:
‘Que todo o meu corpo seja coberto de feridas.’
Seus alunos disseram:
‘Ai de nós por vê-lo assim!’
Ele respondeu:
‘Ai de mim se não me vissem assim!’”
Tratado de Chaguigá 12A:
Rabi Yishmael perguntou a Rabi Akiva, enquanto caminhavam juntos no caminho:
“Tu, que serviste a Rabi Nachum Ish Gamzu durante vinte e dois anos,
e que o ouviste interpretar todas as ocorrências da palavra ‘et’ na Torá —
o que ele ensinava sobre as palavras: ‘et hashamayim ve’et ha’aretz’ (‘os céus e a terra’)?”
Rabi Akiva respondeu:
“Se a Torá tivesse dito apenas ‘shamayim va’aretz’, eu teria pensado que ‘Shamayim’ e ‘Aretz’ são nomes do Santo, bendito seja Ele.
Mas, como está escrito ‘et hashamayim ve’et ha’aretz’,
entende-se que ‘shamayim’ significa de fato os céus, e ‘aretz’ significa de fato a terra.
E o propósito da palavra ‘et’ aqui é para ensinar a precedência dos céus em relação à terra.”
Talmud Yerushalmi, Meguilá 1:11
E por que Rabi Yehudá Hanassí foi chamado “Rabenu Hakadosh” (“nosso mestre, o Santo”?
Porque nunca olhou para o próprio órgão da Milá.
E por que foi chamado Nachum Ish GamZu foi chamado “Kodesh HaKodashim” (“Santo dos Santos” – ou seja ainda mais Santo doque Rabi Yehudá Hanassí)?
Porque nunca olhou a aparência de uma moeda em toda a sua vida.
